entrevista em Macau (1)

23 de Fevereiro de 2013 § Deixe um comentário

No âmbito do 3º aniversário do programa de rádio ‘Rua das Mariazinhas’, fui entrevistado para a Teledifusão de Macau

rua das mariazinhas

sinceros agradecimentos aos apresentadores Jorge Vale e Helder Fernando

Anúncios

personagem em construção

17 de Janeiro de 2013 § Deixe um comentário

Leonor

A ideia de desenvolver uma personagem inesquecível – Leonor -, através de conjunto de retratos-relatos;

Dados da ninfita / nossa amiga / Leonoroshka: alentejana de nascimento; estudante em Coimbra; dá corpo a situações surreais; humor negro; interacção com vultos literários portugueses; colocar o Mário C. Brum como personagem;

et cetera

estória sete (experiências)

4 de Novembro de 2012 § Deixe um comentário

«revelações»

o caos, tal como se escreve, revela.se na fronteira
entre o número e o infinito,
entre a música e o ruído,
entre a dança e a pancadaria,
entre o riso e a demência,
entre a consciência e o impulso.

a vida, tal como se escreve, revela.se na fronteira
entre a alcoforado e o pessoa,
entre a espanca e o manso,
entre a folha em branco e o brum.

todo o homem é fruto do mecanismo
entre a letra e o vocábulo
e a sua vida revela.se pelo caos de fronteiras por escrever.

estória seis (inédito)

8 de Setembro de 2012 § Deixe um comentário

«viandante»

quando em viagem, é importante dissecar a cidade entre os diversos tamanhos dos seus componentes,
objectos definidos em proporção, de zooms a escalas, de microscópios a lentes.
para o viandante, a ideia do formigueiro urbano é traduzida pelo que se diz, ouve ou vê,
conforme o que distingue da avioneta, sentado no limite esquerdo, pernas dobradas, joelhos a tremer, tronco esticado para uma janela redonda com 23 centímetros de diâmetro,
conforme o que presume pelo foco do postal, com a sua imagem estática a preto e branco concentrada num dos bairros que, no quotidiano, se pinta da luz e calor do sol,
conforme o que sente a caminhar, os músculos e as articulações que ajudam a subir e descer escadas e vales, miradouros e eremitérios, becos e avenidas, jardins e árvores,
conforme o que espia pelo mapa, os milímetros que encolhem autocarros de dois andares, prédios de 20 pisos (e o que dizer dos prédios dos subúrbios, cujo mesmo número de andares o torna inferior até sem elevador? a loucura de transportar as compras, a pé até ao último andar, pé ante pé, primeiro o direito, depois o esquerdo, sacos na mão, primeiro a direita, depois a esquerda),
conforme o que contraria ao segundo dia de visita, com a ajuda de um roteiro de 400 páginas que descreve a história, as celebridades, a doçaria, as temperaturas, máximas e mínimas, do ar e da água, o horário de verão dos eléctricos públicos,
conforme o que lê pelo nome da urbe inscrito num sinal de trânsito, conjunto de letras brancas que se estacam em fundo encarnado e significam os milhões de habitantes, casas de apostas e cinemas.
a beleza do desafio de se transportar no terreno, espaço de manifesta curiosidade:
na rua, descrita e inscrita pela toponímia que celebra uma vitória em guerra, a relevância de uma invenção local, o nome próprio do pai de família, jornalista, poeta, escritor, cronista, leitor, ilustrador, metereologista, fumador, canceroso,
a melodia que esvoaça da janela com acesso ao estendal que se usa para exibir a roupa molhada mas lavada, a sugar os raios solares, entre molas dotadas de escala cromática, camisola sem mangas acrescida de imposto sobre valor acrescentado, oferta de saco com logotipo, trocas até 30 dias,
o passeio que se abre à mistura dos transeuntes com os locais, dos transeuntes com os polícias, dos transeuntes com os ilegais, dos transeuntes com os loucos, dos transeuntes com os animais domésticos,
a estrada que se fecha pela invasão de carros estacionados (em fila, de lado, perpendiculares) e de carros em andamento (em fila, de frente, paralelos), interdita a camiões, carroças, cadeiras de roda, carros telecomandados, carrinhos de supermercado, carrinhos de linhas;
no monumento, cujo nome lhe dá significado e se lê a 200 metros, numa distância que se percorre em cinco minutos, entre fotografias, do clique ao flash, do presente ao passado, do fixo a partir do que se agita,
a entrada, as escadinhas com degraus em altura, as setas, a indicação de bilheteira, o preço que se paga para alimentar os olhos, o cérebro e o tempo que se economizou para os míseros dias de férias, numa luta em contraciclo,
a necessidade de utilização da casa de banho e a escolha segundo se é homem ou mulher ou deficiente ou criança ou adepto do mais bem sucedido clube desportivo local,
o respeito pela antiguidade, pela obra arquitectural, pelo guia, pela prioridade numa rotunda, pelo silêncio da noite transposto para o dia;
no restaurante, cujo lettering do menu difere com o traçado no cartão com calendário impresso a cada 365 dias, 366 se ano bissexto, culpa de Fevereiro que a cada quatro anos cresce um dia, como a língua,
os diferentes pratos do dia, repartidos entre peixe e carne e macrobiótico nas páginas não numeradas,
em que, por exemplo, os 8 euros de um bacalhau à brás significam toda uma receita, com peixe, com batatas palha, com ovos, com água a escaldar, com azeitonas, com caroços, com cebola, sem costoleta de porco, sem osso, sem piri.piri, conforme, sem fome,
e os pratos combinados, com pão, com queijos e manteigas, com bebida, com bacalhau à brás, com sobremesa, com café, por apenas 9 euros e meio (acaba por render, mesmo para aqueles que, tal como eu, não bebem café nem fumam cigarros);
no livro sobre a cidade, que se leu e recorda quando se passa a fazer parte dela, resultado de noite dormida, entre lençóis de flanela e cobertor macio, brancos, lavados com lixívia diariamente,
pela própria sombra, representada num muro de pedra, nas escadas que se pisam para dar utilidade à estação de metro ou na areia da praia que se escurece e escava para passar o tempo,
mas também pelo tamborilar no decorrer da leitura em voz alta, pelo questionamento de como se diz uma asneira e pela escuta activa numa discussão com a cara metade.
quando em viagem, a evolução toma conta dos dias que nunca se repetem,
há aviões com cozinhas equipadas, auto.estradas com crescente número de faixas, bicicletas para 8 pernas, caixas de supermercado poliglotas, andaimes que oferecem vistas únicas, papel higiénico reutilizável, vacinas para se ser imune às doenças locais, et cetera,
porém, na partilha de uma cidade, como apagar a palavra que se disse, ouviu ou viu por engano?

participação na ‘a sul de nenhum norte’

8 de Agosto de 2012 § Deixe um comentário

O privilégio de contribuir para o sétimo número da revista literária ‘a sul de nenhum norte com o inédito “viandante”

Image

estória cinco

16 de Julho de 2012 § Deixe um comentário

siamais

I

eu crio
tu querias
ele cria
nós queríamos
vós criais
eles queriam

II

eu queria
tu crias
ela queria
nós criamos
vós queríeis
elas criam

estória quatro

11 de Abril de 2012 § Deixe um comentário

sem título

o sangue que corre nas veias da poesia não tem cor, cheiro ou forma,
precoce de vida, a poesia renasce elanguescida como algaraviada de sensações.tempo.
emocional e material imortal,
a poesia ziguezagueia pela pureza de uma floresta e põe flores na lapela.lápide,
cemitério de centímetros de versejos de alma de deus,
amíude arte que respira, tropel caritativa e criativa.
por vezes, quando morro, circula dentro de mim uma felicidade inquebrantável