entrevista para o jornal ‘i’

15 de Junho de 2013 § Deixe um comentário

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rúbrica “faz-se assim” – 15 de Junho de 2013

 

Tem algum método de escrita, rotina ou truques?

Parto sempre de uma ideia. Disseco-a ao máximo e contextualizo-a. Escrevo de forma automática, por associação de ideias, o que implica rever e corrigir constantemente. É um trabalho árduo mas desafiador.

Faz muitas pausas?

Bastantes. Principalmente quando procuro uma palavra que acredito que se enquadra de forma perfeita num texto. Por vezes, a palavra surge passadas 2 horas… outras demora 2 dias! Quando acabo um texto, costumo deixá-lo ‘de molho’ e só o encerro quando sinto que bate certa a leitura final.

Espera pela inspiração?

Evito conjugar o verbo esperar. Na realidade, percebi que, pessoalmente, as ideias irrompem inesperadamente: a andar a pé; ao abrir uma porta; ao identificar um padrão no comportamento de um peixe acabado de pescar com o de uma jovem a cumprimentar o tio com mau hálito. Assim, ao longo do dia estou atento aos pensamentos que me ocorrem e aponto (num pequeno caderno ou no telemóvel) os que me poderão vir a ser úteis.

Escreve a computador ou à mão?

No computador. E costumo receber sorrisos quando revelo que o faço no ‘notepad’. Para mim é o ideal porque o texto não é atacado por formatações automáticas e revejo-o em simultâneo: corto, copio e reescrevo as partes a trabalhar com facilidade. Para mais, com a Internet uso o dicionário e adianto pesquisas.

Tem manias como acabar sempre uma página, por exemplo?

Não, mas no início era obcecado com simetrias e certos números.

Pensa logo no título ou surge depois?

O título é work-in-progress.

Faz algum esboço das personagens e trama? (seja em papel, seja mental) Se não faz, como se processa a construção do livro?

Sim, a nível mental listo características das personagens e faço um índice com a evolução da trama.

A primeira frase mantém-se ou muda depois?

Mudança não. Diria que vai evoluindo.

Evita ler livros quando escreve?

Ser-me-ia impossível passar um dia sem ler. E tento ler de tudo, não só livros mas também jornais ou a posologia de medicamentos.

Ouve música enquanto escreve, ou prefere silêncio?

Escrevo sem música e adquiro o super-poder de ignorar o ruído ambiente.

Qual é a sensação que fica, quando termina um livro?

É díspar: um prazer mas também uma dificuldade em ‘despir o fato’ de autor (preocupado com pormenores) e passar a desfrutar da estória.

Trabalha em mais do que um livro ao mesmo tempo?

Não.

Escreve em casa?

Sim. O processo de revisão e correcção depende: envio o texto para o email e depois jogo pingue-pongue: trabalho-o em qualquer lado e reenvio-o interminavelmente até estar concluído.

O que é que não pode faltar na sua mesa de trabalho?

O computador, um dicionário de sinónimos e antónimos e o caderno de notas.

Em que é que está a trabalhar neste momento?

Na prática, vou iniciar a promoção do segundo livro: «parágrafos Leonor». No entanto, estou constantemente a coleccionar ideias que me ocorrem.

Já deitou fora muita coisa que tenha escrito? Manuscritos inteiros ou coisas soltas?

Não. Há muita coisa que não me atreveria a publicar mas não deito fora por, ó ingenuidade!, ter esperança que poderá originar futuras ideias.

Como é que dá o nome às suas personagens?

Surge naturalmente, associando ideias no momento.

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